
“Centenas de Bíblias foram queimadas em Israel, numa cidade perto de Telavive. Os investigadores da polícia estão a analisar fotografias e vídeos que capturaram imagens de um grupo de estudantes judeus a incendiar os Novos Testamentos.” (In: Público, 29/5/08)
Os livros são uma antiga e nunca desguarnecida fixação dos radicais (radicais de toda a ordem e de todos os quadrantes políticos, ideológicos, sociológicos e outros).
Durante séculos, a Inquisição purificou pelo fogo pessoas e a livros. Os nazis queimaram livros e judeus. Por causa de um livro (“Os Versículos Satânicos”), nos anos de 1980, Salman Rushdie foi condenado à morte. A Santa Sé mantém um índex actualizado de livros proibidos.
Por cá, em 1974, a Pide ainda prendia pessoas e apreendia livros. Coisa do passado? Há quem não pense assim.
O último Governo de Cavaco Silva, era então Pedro Santana Lopes Secretário de Estado da Cultura, o seu Sub-Secretário de Estado, Sousa Lara, impediu que um livro de José Saramago (“O Evangelho Segundo Jesus Cristo”) fosse candidato nacional a um prémio europeu.
O ano passado, em Viseu, a PSP mandou retirar da montra duma livraria uma obra (um álbum de banda desenhada), sob a argumentação de que ofendia a moral e os bons costumes.
Eles podem andar cabisbaixos, mas continuam no meio de nós. E a sua fobia não são apenas os livros. É, sobretudo, a Liberdade de Expressão.
(foto: portal manuelino da Igreja de S. João Baptista, Moura, 2 de Maio de 2008)