Domingo, Janeiro 18, 2009

PARA OS MEUS AMIGOS D'APÚLIA


01. Os Poetas - Queria De Ti Um País (2:12)
02. Madredeus - O Mar (5:33)
03. Sétima Legião - Mar d'Outubro (3:10)
04. Três Tristes Tigres - Colchão d'Água (5:03)
05. Rodrigo Leão - [D]o Novo Mundo (3:54)

Terça-feira, Junho 24, 2008

Exemplos de provincianismo


Provincianismo em dose dupla (citando o Público de hoje).

Governamental: "O edifício onde está instalado o tribunal das Varas Mistas de Guimarães - arrendado pelo Ministério da Justiça em Janeiro de 2007 - não está registado na conservatória predial nem nas Finanças. (...) Quatro milhões de euros é quanto o Estado pagará em dez anos pela renda do imóvel, que a Algarvau [empresa proprietária] comprou por dois milhões".

Do PSD: Morais Sarmento considera que TGV "só pode ser brincadeira de mau gosto"

(foto: Barqueiros, 12 de Janeiro de 2008)

Quarta-feira, Junho 18, 2008

Serviço Público. Notícia judicial


O Tribunal Judicial de Barcelos esteve a julgar dois cidadãos acusados de não respeitar as suas obrigações fiscais.

Os arguidos foram acusados de não terem pago ao Fisco 1,29 euros (cento e vinte e nove cêntimos).
Para julgar o crime a que corresponde aquele (eventual e ainda não provada) dívida, foram necessárias quatro sessões de julgamento. No total, mais de oito horas.

Para se efectuarem aquelas quatro sessões, o Estado teve de utilizar os seguintes meios: instalações judiciais, um funcionário judicial, um juíz e um delegado do Ministério Público. Além disso, estiveram presentes dois arguidos em cada uma das sessões. Mais um advogado. E ainda dois técnicos superiores dos serviços de Finanças de Barcelos, durante cada uma das sessões.

Exemplar caso este. Doravante, que não se diga, pois, que o Estado (aqui representado pelas magistraturas, pela Justiça e pelo Fisco) não é rigoroso e empenhado.

Assim se transmite uma mensagem eficaz e padagógica aos cidadãos: o Estado não deixa que os contribuintes enriqueçam à sua custa (mesmo que seja pela fortuna de um euro e vinte e nove cêntimos); mais: o Estado não se importa em comprometer meios avultados e gastar milhares de euros para poder reaver 129 cêntimos a que poderá (ainda não é certo) vir a ter direito.
(foto: Apúlia, Abril de 2006)

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Latim: o nosso e o deles


No que toca ao discurso público, todo ele se dirige para a valorização das ciências exactas ou positivas. Pelo contrário, as disciplinas das chamadas Humanidades são desvalorizadas como nunca. Em muitos casos, nota-se até desprezo por elas.

Para o discurso público dominante (mais que isso: omnipresente), chamar ciências à Sociologia, Direito, História, Literatura ou Filosofia, por exemplo, é uma heresia. Ciência que é Ciência faz-se em laboratório. Testa-se. Experimenta-se. Socorre-se da Matemática.

É um erro como outro qualquer. E como qualquer outro erro, terá repercussões no País. Na qualidade de vida do País (Estado e Cidadãos).

As consequências da desvalorização pública das Humanidades começam já a manifestar-se. Primeiro, foi a Filosofia. Agora, é o Latim.

Em dois anos, os alunos do secundário que fizeram exame desta disciplina desceu de 1651 para 313. Uma queda de 80%.

Enquanto nós damos um trambolhão, Espanha e França, outros países Latinos, mantêm os seus níveis.

Por outro lado, em Inglaterra, país cuja língua tem outras origens, entre 2004 e 2007 o número de escolas secundárias onde se pode aprender o Latim mais que duplicou. Mas não só: em 2.500 escolas primárias da anglo-saxónica Inglaterra as crianças podem começar a aprender o Latim.

Um dia pagaremos muito caro estes nossos erros. Um país que despreza os Clássicos (como Clássico é o Latim) não se pode orgulhar da sua Cultura, porque logo se percebe como ela é manca, por virtude de estropiamento auto-infligido.
(foto: Torre (romana) de Almofala, Figueira de Castelo Rodrigo, 1 de Março de 2008)

Segunda-feira, Junho 09, 2008

Exemplos de provincianismo


"Em 20 anos, Portugal perdeu 700 quilómetros de via ferrea" (in Expresso de 31/05/08).

A Linha do Tua (entretanto, há anos já amputada do troço entre Mirandela e Bragança) tem o encerramento já decretado, embora sem data marcada.

Na Linha do Douro, também vai ser encerrado o troço entre o Pinhão e o Pocinho.

(foto: Barqueiros, Barcelos, 27 de Abril de 2004)

Será exagero?


A afirmação vem reproduzida na edição electrónica do jornal inglês The Times, e foi publicada em 2 de Junho.

Atribuída à Igreja Inglesa, a afirmação é dura. Violenta. Brutal.

E reza assim: “Os que não se preocupam com as alterações climatéricas são comparáveis ao pedófilo austríaco Josef Fritzel”.

Dura, violenta e brutal é esta afirmação. Mas será exagerada?
(foto: Teatro Gil Vicente, Barcelos, 30 de Novembro de 2004)

Quarta-feira, Junho 04, 2008

Exemplos de provincianismo

Ontem, à largura de toda a primeira página, o jornal Público trazia uma fotografia com um tornozelo. A confiar na legenda, o dito será de um jovem cavalheiro que dá pelo nome de Cristiano Ronaldo.

Terça-feira, Junho 03, 2008

Ainda se queimam livros


“Centenas de Bíblias foram queimadas em Israel, numa cidade perto de Telavive. Os investigadores da polícia estão a analisar fotografias e vídeos que capturaram imagens de um grupo de estudantes judeus a incendiar os Novos Testamentos.” (In: Público, 29/5/08)

Os livros são uma antiga e nunca desguarnecida fixação dos radicais (radicais de toda a ordem e de todos os quadrantes políticos, ideológicos, sociológicos e outros).

Durante séculos, a Inquisição purificou pelo fogo pessoas e a livros. Os nazis queimaram livros e judeus. Por causa de um livro (“Os Versículos Satânicos”), nos anos de 1980, Salman Rushdie foi condenado à morte. A Santa Sé mantém um índex actualizado de livros proibidos.

Por cá, em 1974, a Pide ainda prendia pessoas e apreendia livros. Coisa do passado? Há quem não pense assim.

O último Governo de Cavaco Silva, era então Pedro Santana Lopes Secretário de Estado da Cultura, o seu Sub-Secretário de Estado, Sousa Lara, impediu que um livro de José Saramago (“O Evangelho Segundo Jesus Cristo”) fosse candidato nacional a um prémio europeu.
O ano passado, em Viseu, a PSP mandou retirar da montra duma livraria uma obra (um álbum de banda desenhada), sob a argumentação de que ofendia a moral e os bons costumes.

Eles podem andar cabisbaixos, mas continuam no meio de nós. E a sua fobia não são apenas os livros. É, sobretudo, a Liberdade de Expressão.

(foto: portal manuelino da Igreja de S. João Baptista, Moura, 2 de Maio de 2008)